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Uma central fotovoltaica sem subsídios públicos e com um contrato de compra de energia a longo prazo começou a ser construída hoje em Évora, num investimento a rondar os 20 milhões de euros.

A Central Fotovoltaica de Vale de Moura, numa área de 55 hectares, a alguns quilómetros da cidade alentejana, é promovida pela empresa Hyperion Renewables, que estabeleceu um ‘Power Purchase Agreement’ (PPA, isto é, acordo para a compra da energia a longo prazo) com o grupo energético suíço Axpo.

O projeto, cujo início das obras foi hoje assinalado no terreno, vai ter uma capacidade total instalada de 28,8 megawatts (MW), com uma produção anual de energia superior a 52 gigawatts-hora (GWh/ano), o que equivale, segundo os promotores, “ao consumo médio anual de quase 10.000 habitações”.

Trata-se, realçaram os promotores, da “primeira central fotovoltaica de toda a Península Ibérica que “não receberá qualquer tipo de subsídios públicos” e que assinou “um contrato pioneiro de compra de energia a longo prazo”.

O administrador executivo da Hyperion Renewables, Pedro Bastos Rezende, explicou hoje aos jornalistas que a central tem “a particularidade de ser a primeira na Península Ibérica feita com a parceria entre os investidores e quem fornece o PPA e o ‘project finance’”.

“Até hoje, nenhuma central” tinha sido implementada “sem subsídios com ‘project finance’. Esta é a primeira” e, por isso, “é inovadora”, frisou.

A existência de um PPA para a Central Fotovoltaica de Vale de Moura, que está previsto ser ligada à rede “em janeiro de 2019”, assinalou Pedro Bastos Rezende, assegura que o preço a que a energia vai ser vendida já esteja definido, o que possibilitou o financiamento do projeto por uma entidade bancária.

“Quando se fazem projetos sem a tarifa definida, sem ter subsídios ou sem ter uma garantia do Estado” sobre “a quanto é que se vai vender a energia”, gera-se uma “incerteza quanto às vendas do projeto” e “não há nenhum banco que se atreva” a financiá-lo, disse.

Mas, neste caso, sublinhou, “foi a primeira vez na Península Ibérica que este problema foi resolvido”, sendo a Axpo a entidade que, graças ao PPA, vai ficar com a energia, garantindo aos promotores um preço pela mesma.

O diretor-geral da Axpo na Península Ibérica, Ignacio Soneira, revelou que o preço da energia produzida nesta central no concelho de Évora vai estar garantido “para os primeiros 10 anos”.

Trata-se de um projeto “sem custos para o consumidor” e que conseguiu encontrar financiamento para poder ser construído sem necessidade de subvenções” públicas, podendo “ser replicado” noutras iniciativas futuras.

“E isso vai traduzir-se num benefício para o meio ambiente e para o consumidor. É mais energia no sistema, é uma energia limpa e é uma energia sem custos adicionais”, frisou.

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